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Dar voz aos jovens - Os jovens e a participação política ativa


Porque será que mais de metade dos jovens portugueses entre os 15 e os 24 anos não revelam qualquer tipo de interesse político? Será porque os jovens são demasiado novos para se interessarem por “politiquices”? Será porque apesar de serem jovens têm a noção que no nosso país existe muitos Sócrates e muita falta de transparência nos processos políticos? Será porque a linguagem utilizada na política é muito formal? Será porque sabem que serão a nova “Geração à Rasca”? Ou será que os jovens simplesmente não querem saber? Podia continuar a questionar os leitores mas sei que para muitos (e para mim), algumas destas perguntas são meramente retóricas.

Os jovens de hoje participam de uma forma mais direta no processo democrático- através de manifestações, petições, voluntariado- sem necessidade de estarem filiados a um partido. No entanto, o fosso existente entre os jovens e a política é ainda muito grande. Existem N razões que explicam esse fenómeno. Primeiro, recentemente, toda a sociedade ultrapassou uma das maiores crises económicas já sentidas em Portugal. Também, o caso José Sócrates, e não só, veio evidenciar a falta de transparência e a corrupção existente nos processos democráticos. A constituição está deveras desatualizada para os problemas de hoje. A linguagem política é muito formal e aborrecida. E os constantes aumentos na carga fiscal e as diversas propostas que não são cumpridas pelo governo e pelos partidos geram desconfiança por parte dos jovens e da sociedade em geral. Porém, não podemos culpabilizar só o governo e os partidos. Nós mesmos temos que ter vontade de sermos ouvidos e termos uma participação cívica mais ativa. Principalmente os jovens.

É necessário combater o problema do afastamento dos jovens em relação à política desde cedo, desde a escola. É muito importante e mais interessante falar sobre o ambiente e outros temas, mas também é importante, um jovem saber o que é o orçamento de estado, o que é e como fazer o IRS, o que é um depósito à ordem e a prazo. É necessário que o próprio sistema de ensino tenha um papel ativo na educação política dos jovens.

Eu sou jovem, e só comecei a entender e a me interessar pela política porque ingressei num curso universitário que abrange muitas áreas politicas. E posso vos dizer que a politica não é nenhum “bicho de sete cabeças”. A política é como a matemática. Quando entendemos e percebemos a matemática, tudo se torna mais fácil e interessante. Quando não entendemos nada, perdemos completamente o interesse.

Se estás a ler isto, e és jovem ou não, não tenhas medo daquilo que a política aparenta ser. Garanto-te que é muito mais interessante do que aquilo que tu pensas que é. É através dela que te podes fazer ouvir. E é através dela que podes mudar aquilo que achas que está errado.


Alexandra Lobão 

Estudante de Mestrado em Ciência Política 

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